quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Capítulo 1 - Serrasolar.

- Pate, seu pai o espera, mas não dê ouvido às maliquices que ele planeja para você. Parece que ele não percebe a idade que você tem! - Pate ouviu a Senhora Solar o dizer.
- Estou indo mãe. E por favor, não grite como se eu fosse uma criança!  - E saiu andando calmamente com uma postura digna de um jovem escudeiro.
Ao cruzar os arcos de pedra bege que anunciavam a chegada ao Salão principal de Serrasolar, o castelo da familia Adagadourada, viu seu pai, o imponente Lorde Adagadourada, com seus três conselheiros ao seu lado. O gordo Sor Jon Estreladiurna, Sor Harry Raiosolar, o irmão de pele escura e olhos calculistas da esposa de seu pai e Sor Pedro, o irmão mais velho de Pate e futuro Lorde Adagadourada.
Pedro foi até Pate e lhe deu um abraço, gesto que Lorde Adagadourada com certeza o censuraria mais tarde.
- Pequeno Pate, pronto para partir em sua aventura escura e cheia de terrores? - Disse o irmão com um enorme sorriso no rosto.
- Não sou nada pequeno e é só uma pequena viagem até Castelobranco. Vou ficar bem, além do mais, não sairei de Terradourada. - E para afastar a triste lembraça que era a sua altura, Pate recitou para seu irmão o lema de sua família. - Quando a adaga dourada rasga o céu noturno, não existe escuridão que prevaleça em Terradourada.
- Tenho certeza que sim, meu irmão! - Ouviu Pedro dizer enquanto se dirigia ao outros dois conselheiros.
- Bom dia Sor Jon e Sor Harry, vieram me desejar boa sorte?
- Bom dia Pate. Claro que viemos, temos absoluta certeza que precisará de muita perícia com a espada  e sorte para sobreviver à essa terrivel aventura! - Disse Sor Jon Estreladiuarna enquanto apertava sua mão.
Sor Harry se demonstrou menos falso quando recitou o lema de sua família. - Lembre-se Pate, a noite é sempre mais escura antes do amanhecer. - Pate que já estava farto de todos os perigos que inventaram para esse pequeno passeio que fora a única missão que sua mãe concordou que participasse, apenas agradeceu aos dois conselheiros antes de chegar ao principal homem que estava naquele salão, seu pai.
- Deixe-me ver sua espada filho. - Pate obedeceu ao pedido do pai. Por mais que tivessem sido escolhidas palavras gentis para compor a frase, soou como uma ordem. - É uma bela espada para treinos entre dois rapazes com armadura o suficiente para não se arranharem, mas temo que não será o suficiente caso encontre algum bandido qualquer no caminho e necessite salvar o seu primo desses míseros infelizes. - Lorde Adagadourada pediu que  Sor Harry o entregasse um pacote em formato de espada e esticou o braço para entregar ao filho. - Espero que use isso com sabedoria e sem misericórdia com que não merecer.
Os olhos de Pate brilharam quando viu o formato daquele pacote e seu primeiro pensamento foi de que aquilo não poderia ser uma espada, sua mãe nunca teria concordado com esse presente. - Pai, isso é sério? - Esperou seu pai acenar positivamente a abriou o pacote e dentro dele encontrou a espada mais bonita que alguma vez já vira, sua lamina era dourada e seu punhal tinha esmeraldas em formato de pequenos sóis verdes e brilhantes. - Obrigado pai, a usarei com sabedoria. - Respondeu Pate com um sorriso no rosto para esconder o desagrado de ouvir "sem misericórdia com quem não merecer".
Pate não demorou muito para embainhar sua espada e apertar firmemente a mão do pai de forma que ele sorriu de aprovação. - Vá encontrar seu primo nos jardins. - E Pate virou as costas para ir na direção que seu pai apontara.
Não era difícil encontrar seu primo Rafael quando ele estava em Serrasolar. Se não estivesse se reportando para o pai de Pate estaria nos Jardins cortejando sua linda irmã de pele escura e cabelos lisos e negros. - Olá Pate, vejo que não teve dificuldades em me encontrar. É sempre agradável lhe ver primo, embora você não tenha herdado essa provocante cor de pele da sua irmã. - Disse Rafael, o forte cavaleiro de cabelos negros e barba cerrada que todas as mulheres pareciam amar.
- Não perde uma chance de elogiar minha irmã primo, mesmo que seja de forma um tanto quanto derespeitosa. - Pate censurou seu primo que não demorou a mudar de assunto.
- Está pronto para a viagem? Ouvi dizer que matará mais bandidos nesses dois dias de viagem do que eu matei em toda a minha vida.
- Sim, irei. Mas começarei pelo mais rídiculo deles, você! - Disse Pate rindo antes de abraçar o seu primo.
- Ora Pate, pode me chamar de várias coisas, mas só poderá me chamar de bandido no dia em que roubar o coração de sua irmã. Falando dela, vá logo se despedir, temos que partir. - Disse seu primo e logo depois beijou a palma de sua mão e a soprou na direção em que se encontrava a jovem Ana Adagadourada.
A irmã de Pate pareceu lhe dar o abraço mais forte que recebeu naquele dia. - Mamãe disse que não teria coragem de se despedir de você, então me pediu para te dar uma abraço que valesse o dela também. Tem certeza que deseja ir? - Perguntou ao irmão.
- Sim, Ana. Já estava mais do que na hora de me tornar escudeiro de alguem, pena que não tenha conseguido um cavaleiro mais experiente que Rafael.
- Não seja tão insuportável, querido. Rafael é um dos cavaleiros mais renomados de Terrasolar e tem a confiança de nosso pai, por mais que seja um pouco insolente com as damas da corte. - Disse Ana enquanto beijava o rosto de Pate. - Você precisa ir caso não queira se atrasar no conselho.
Pate despediu de sua irmã e foi encontrar seu primo já na porta do castelo com seu enorme cavalo negro e o belo cavalo branco de Pate ao seu lado.
- Este seu cavalo é mesmo digno de um Adagadourada de nascimento elevado. - Disse enquanto sorria. - Estou surpreso por sua mãe não mandar meia duzia de cavaleiros para te escoltar até Castelobranco. O que será que seu pai deu para ela comer esta manhã? - Perguntou Sor Rafael Adagadourada em tom de brincadeira.
- Não faço ideia Rafael, mas não vamos reclamar da nossa boa sorte, não é? - Pate disse sorrindo. Durante todo o caminho até os portões da cidade Rafael lhe contou dos acontecimentos da sua ultima missão, onde teve que caçar um lobo para comer pois não encontrara nenhum animal mais adequado para sua refeição. - Sim Rafael, faço ideia do quão sabaroso estava este lobo imaginário que você comeu.
- Você ri agora primo, logo terá que comer o seu primeiro lobo também. Bom, é aqui que começa nossa viagem Pate, agora já é o meu escudeiro.

Pate sorriu e atravessou os portões da cidade. Sua primeira visão foram os campos dourados de trigo que rodeavam toda a área de Serrasolar e o caminho que descia serra abaixo até os campos verdes que Sor Harry Raiosolar protegeria. Uma bela visão, admitiu Pate, mas não bela o suficiente para não olhar para trás e ver o enorme castelo  que era Serrasolar. O castelo bege que enquanto o sol se mostrasse seria dourado.

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