- Pate, seu pai o espera, mas não dê ouvido às maliquices
que ele planeja para você. Parece que ele não percebe a idade que você tem! -
Pate ouviu a Senhora Solar o dizer.
- Estou indo mãe. E por favor, não grite como se eu fosse
uma criança! - E saiu andando calmamente
com uma postura digna de um jovem escudeiro.
Ao cruzar os arcos de pedra bege que anunciavam a chegada ao
Salão principal de Serrasolar, o castelo da familia Adagadourada, viu seu pai,
o imponente Lorde Adagadourada, com seus três conselheiros ao seu lado. O gordo
Sor Jon Estreladiurna, Sor Harry Raiosolar, o irmão de pele escura e olhos
calculistas da esposa de seu pai e Sor Pedro, o irmão mais velho de Pate e
futuro Lorde Adagadourada.
Pedro foi até Pate e lhe deu um abraço, gesto que Lorde
Adagadourada com certeza o censuraria mais tarde.
- Pequeno Pate, pronto para partir em sua aventura escura e
cheia de terrores? - Disse o irmão com um enorme sorriso no rosto.
- Não sou nada pequeno e é só uma pequena viagem até
Castelobranco. Vou ficar bem, além do mais, não sairei de Terradourada. - E
para afastar a triste lembraça que era a sua altura, Pate recitou para seu
irmão o lema de sua família. - Quando a adaga dourada rasga o céu noturno, não
existe escuridão que prevaleça em Terradourada.
- Tenho certeza que sim, meu irmão! - Ouviu Pedro dizer
enquanto se dirigia ao outros dois conselheiros.
- Bom dia Sor Jon e Sor Harry, vieram me desejar boa sorte?
- Bom dia Pate. Claro que viemos, temos absoluta certeza que
precisará de muita perícia com a espada e sorte para sobreviver à essa terrivel
aventura! - Disse Sor Jon Estreladiuarna enquanto apertava sua mão.
Sor Harry se demonstrou menos falso quando recitou o lema de
sua família. - Lembre-se Pate, a noite é sempre mais escura antes do amanhecer.
- Pate que já estava farto de todos os perigos que inventaram para esse pequeno
passeio que fora a única missão que sua mãe concordou que participasse, apenas
agradeceu aos dois conselheiros antes de chegar ao principal homem que estava
naquele salão, seu pai.
- Deixe-me ver sua espada filho. - Pate obedeceu ao pedido
do pai. Por mais que tivessem sido escolhidas palavras gentis para compor a
frase, soou como uma ordem. - É uma bela espada para treinos entre dois rapazes
com armadura o suficiente para não se arranharem, mas temo que não será o
suficiente caso encontre algum bandido qualquer no caminho e necessite salvar o
seu primo desses míseros infelizes. - Lorde Adagadourada pediu que Sor Harry o entregasse um pacote em formato
de espada e esticou o braço para entregar ao filho. - Espero que use isso com
sabedoria e sem misericórdia com que não merecer.
Os olhos de Pate brilharam quando viu o formato daquele
pacote e seu primeiro pensamento foi de que aquilo não poderia ser uma espada,
sua mãe nunca teria concordado com esse presente. - Pai, isso é sério? -
Esperou seu pai acenar positivamente a abriou o pacote e dentro dele encontrou
a espada mais bonita que alguma vez já vira, sua lamina era dourada e seu
punhal tinha esmeraldas em formato de pequenos sóis verdes e brilhantes. -
Obrigado pai, a usarei com sabedoria. - Respondeu Pate com um sorriso no rosto
para esconder o desagrado de ouvir "sem misericórdia com quem não
merecer".
Pate não demorou muito para embainhar sua espada e apertar
firmemente a mão do pai de forma que ele sorriu de aprovação. - Vá encontrar
seu primo nos jardins. - E Pate virou as costas para ir na direção que seu pai
apontara.
Não era difícil encontrar seu primo Rafael quando ele estava
em Serrasolar. Se não estivesse se reportando para o pai de Pate estaria nos
Jardins cortejando sua linda irmã de pele escura e cabelos lisos e negros. -
Olá Pate, vejo que não teve dificuldades em me encontrar. É sempre agradável
lhe ver primo, embora você não tenha herdado essa provocante cor de pele da sua
irmã. - Disse Rafael, o forte cavaleiro de cabelos negros e barba cerrada que todas
as mulheres pareciam amar.
- Não perde uma chance de elogiar minha irmã primo, mesmo
que seja de forma um tanto quanto derespeitosa. - Pate censurou seu primo que
não demorou a mudar de assunto.
- Está pronto para a viagem? Ouvi dizer que matará mais
bandidos nesses dois dias de viagem do que eu matei em toda a minha vida.
- Sim, irei. Mas começarei pelo mais rídiculo deles, você! -
Disse Pate rindo antes de abraçar o seu primo.
- Ora Pate, pode me chamar de várias coisas, mas só poderá
me chamar de bandido no dia em que roubar o coração de sua irmã. Falando dela,
vá logo se despedir, temos que partir. - Disse seu primo e logo depois beijou a
palma de sua mão e a soprou na direção em que se encontrava a jovem Ana
Adagadourada.
A irmã de Pate pareceu lhe dar o abraço mais forte que
recebeu naquele dia. - Mamãe disse que não teria coragem de se despedir de
você, então me pediu para te dar uma abraço que valesse o dela também. Tem
certeza que deseja ir? - Perguntou ao irmão.
- Sim, Ana. Já estava mais do que na hora de me tornar
escudeiro de alguem, pena que não tenha conseguido um cavaleiro mais experiente
que Rafael.
- Não seja tão insuportável, querido. Rafael é um dos cavaleiros
mais renomados de Terrasolar e tem a confiança de nosso pai, por mais que seja
um pouco insolente com as damas da corte. - Disse Ana enquanto beijava o rosto
de Pate. - Você precisa ir caso não queira se atrasar no conselho.
Pate despediu de sua irmã e foi encontrar seu primo já na
porta do castelo com seu enorme cavalo negro e o belo cavalo branco de Pate ao
seu lado.
- Este seu cavalo é mesmo digno de um Adagadourada de
nascimento elevado. - Disse enquanto sorria. - Estou surpreso por sua mãe não
mandar meia duzia de cavaleiros para te escoltar até Castelobranco. O que será
que seu pai deu para ela comer esta manhã? - Perguntou Sor Rafael Adagadourada
em tom de brincadeira.
- Não faço ideia Rafael, mas não vamos reclamar da nossa boa
sorte, não é? - Pate disse sorrindo. Durante todo o caminho até os portões da
cidade Rafael lhe contou dos acontecimentos da sua ultima missão, onde teve que
caçar um lobo para comer pois não encontrara nenhum animal mais adequado para
sua refeição. - Sim Rafael, faço ideia do quão sabaroso estava este lobo
imaginário que você comeu.
- Você ri agora primo, logo terá que comer o seu primeiro
lobo também. Bom, é aqui que começa nossa viagem Pate, agora já é o meu
escudeiro.
Pate sorriu e atravessou os portões da cidade. Sua primeira
visão foram os campos dourados de trigo que rodeavam toda a área de Serrasolar
e o caminho que descia serra abaixo até os campos verdes que Sor Harry
Raiosolar protegeria. Uma bela visão, admitiu Pate, mas não bela o suficiente
para não olhar para trás e ver o enorme castelo que era Serrasolar. O castelo bege que
enquanto o sol se mostrasse seria dourado.
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